Bolsonaro sobe o tom durante julgamento no STF: “Atentado jurídico”

Nesta quarta-feira (26/03), a Primeira Turma do STF, de maneira unânime, tornou o ex-presidente réu por denúncias de organização criminosa e trama golpista. Além de Bolsonaro, outros sete denunciados também se tornaram réus. Ao contrário da última terça, Bolsonaro escolheu não estar presente durante o julgamento. O ex-presidente acompanhou a votação do gabinete do senador Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho.

Durante o julgamento, antes dos votos, Bolsonaro se manifestou publicamente e alegou estar sendo vítima de perseguição, acusando os ministros de terem feito um “atentado jurídico contra a democracia”.
“Todos sabem que o que está em curso é, na verdade, uma espécie de atentado jurídico à democracia: um julgamento político, conduzido de forma parcial, enviesada e abertamente injusta por um relator completamente comprometido e suspeito, cujo objetivo é se vingar, me prendendo e me retirando das urnas”, escreveu Bolsonaro.

O ex-presidente seguiu dizendo que o julgamento seria apenas uma manobra para retira-lo da briga pela presidência no ano que vem (embora ele já seja inelegível, mesmo sem este julgamento). Bolsonaro também afirmou que, caso pudesse concorrer as eleições, seria eleito e com maioria alcançada no Senado. O ex-presidente também afirmou que o caso esta sendo acompanhado pela “comunidade internacional”.

Quais são os crimes dos quais Bolsonaro foi acusado
Bolsonaro é acusado de ter tramado um plano de golpe de estado para se manter no poder. O ex-presidente é acusado de encabeçar uma organização criminosa que teria tramado um esquema para impedir a posse de Lula, depois das eleições de 2022.
No ano de 2022, o Brasil acompanhou protestos nas estradas, acampamentos em portas de quartéis e também o fatídico 8 de janeiro, em que um grupo numeroso de pessoas tomou a Praça dos Três Poderes, depredou o patrimônio público e ameaçou autoridades nacionais.
Para a Polícia Federal, e também para a Procuradoria Geral da República, todos esses episódios estiveram alinhados ao suposto plano golpista que previa uma pressão popular para que o exército fosse colocado nas ruas, o que permitiria o golpe.
O inquérito da Polícia Federal foi concluído com centenas de páginas, que foram analisadas pela PGR e agora vão servir de base para o julgamento contra Bolsonaro e outros 7 acusados.
